domingo, 29 de setembro de 2013

Hoje, Apenas Um Texto Qualquer.

Este texto é pra você, ser humano, às vezes tão capaz de amar, porém outras, tão incapaz. A raça humana é "amaldiçoada" com o amor; com toda a certeza, posso provar e dizer que este sentimento destrói até sua própria personalidade. Mudamos, além de crescer, o que até pode ser positivo, todavia por outro lado, totalmente catastrófico. Até meados de junho, eu estava completamente bem, rindo e fazendo palhaçadas espalhafatosas, como sempre. Porém me chamou atenção que, pela primeira vez, eu estava sentindo algo um pouco mais forte do que apenas amizade por um amigo meu. Um amigo que era muito importante para mim, cuja amizade era única. Ele já havia comentado comigo que sentia algo por mim, mas deixei-o pensar que não era recíproco, tamanha a intensidade e o valor da nossa relação. Entretanto, houve uma hora que não foi possível esconder, mais. Estava em dúvida e aflita, pois a amizade dele estava, para mim, no topo de qualquer prioridade que eu tinha. Junto à família, junto ao meu amigo-irmão. Impossível descrever com palavras o quanto eu o considerava. O meu medo, ao contar sobre meu sentimento à ele, era do fim disso, do fim da amizade, do fim daquele cuidado e atenção carinhosa (às vezes nem tanto, né CU - hahaha). Ao contar, perebi na hora que nunca mais seria a mesma coisa. De fato, as coisas mudaram naquela semana. Aconteceu mais ou menos da seguinte forma: O combinado era ir à uma rave na madrugada de domingo. No sábado, a Marina* (nossa amiga e colega) me buscou de carro, junto com ele e com mais duas amigas nossas. Fomos para a casa dele, comemos pizza e subimos para o quarto dele. Após, chamei a Marina* para o quarto da irmã dele. Contei a ela que talvez eu estaria sentindo algo mais forte por ele. Conversamos por cerca de duas horas. Ele entrava no quarto curioso, oferecendo chocolate, e perguntando o que fazíamos ali, separadas do pessoal. "Já vamos", eu disse. Assim que saiu do quarto, fechou a porta e ela continuou "a felicidade é feita de pequenos momentos. Não existe felicidade plena, porque sempre algo vai dar errado em uma parte da tua vida, enquanto as outras coisas estão dando certo. Então aproveita os momentos, porque talvez daqui a um tempo, cada um de nós, por exemplo, tomaremos um rumo diferente, talvez nunca mais nos veremos. É triste pensar, mas o segredo é aproveitar ao máximo esses momentos que temos com pessoas que gostamos." Confesso que passei dias pensando no que ela falou, concluindo que foram palavras extremamente sábias. No relógio, os ponteiros marcavam uma hora da manhã, e as meninas foram dormir no quarto da irmã dele. Eu não sentia sono, nem ele. Assistimos um filme, "Projeto X", com as luzes apagadas, abraçados, na cama dele, e (acredite se quiser), não aconteceu nada. Evito, hoje, de pensar naquele momento, pois me dói saber que perdi a amizade dele por algo relativamente evitável. Chegou a hora de ir para a rave, às três e meia da manhã. A festa estava muito divertida, e esperávamos todos ficarem sóbrios novamente (do álcool) e permanecemos mais de duas horas abraçados durante a espera. Sem exageros. Aquele abraço e alguns acontecimentos durante a rave que não posso relatar aqui, foram fatores essenciais para me fazer ter absoluta certeza de que o que eu sentia, não era apenas amizade, não era simples, e muito menos fraco. Era um sentimento que ia muito além. Ao voltarmos, fui a última a ser deixada em casa, e, no carro, quando estávamos apenas nós dois, falei sobre a minha rejeição ao amor, desgraças e tudo mais, sempre tentando lutar contra aquilo, e negando não só pra ele, mas também para eu mesma. Na segunda feira, decidi falar. Falei tudo. O que provavelmente foi um dos piores erros que já cometi na minha vida. A partir dali, minha amizade com ele nunca mais foi a mesma, e cada vez que penso nisso, surge um aperto muito forte no peito, como se eu tivesse perdido um diamante, de alguma forma que eu poderia ter evitado. Ele respondeu que não sabia o que me dizer, que agora já gostava de outra menina, que depois eu acabei descobrindo que era a Marina*. Infelizmente, foi um dos sentimentos mais confusos que já provei. Eu gostava do meu amigo, que não gostava mais de mim, e sim de uma amiga minha! Eu sinceramente não sabia o que sentir, pois eu não podia ter raiva da minha amiga, pois ela não tinha culpa, e nem dele, pois era igualmente sem culpa. Durante aquela semana, éramos como fogo e água, quente e frio, noite e dia. Era um conflito interminável, com algumas pausas para algumas risadas. Chegando sexta feira, nos vimos pela primeira vez depois da conversa, na reunião na casa dele, anterior à viagem para a casa dele na serra gaúcha. (Sim, apesar de eu ter um sotaque extremamente irritante aos ouvidos dos gaúchos, moro aqui no Rio Grande do Sul). Chegando lá, ele me deu um abraço forte, me levantando, como se dissesse "estou muito feliz que você tenha vindo". Na viagem, conversei muito com o Arthur*, pois fomos apenas nós dois no carro dele. Ao total, eram três carros e dez amigos. Hoje, poucos se falam como antes. Chegando lá, não sei como todos souberam do meu sentimento, mas tudo bem, pois não sou de esconder esse tipo de coisa. Depois de muitos shots de tequila e vodka, todos dançavam comicamente na sala, até que - não lembro por quê - todos saíram da sala. Sentei no sofá e ele estava de pé no meio da sala. Nos olhamos e ele fez um sinal com a mão para eu ir até ele. Levantei e fui, automaticamente dando um abraço nele. Com os dedos entre as mechas do meu cabelo, ele guiou meu rosto até o seu, tascando-me um beijo extremamente intenso. Aquele era o beijo acabou me deixando completamente desnorteada. A cena e o sentimento não estão claros até hoje para mim, então provavelmente você, leitor, não entendeu, mas não se preocupe, é frustrante assim mesmo. Logo depois, não lembro de muita coisa, em função do efeito de tanta tequila. Aquele fim de semana foi incrível. Pode não ter sido perfeito, mas foi perfeito para mim. Enfim, como eu já sabia, ele não queria um relacionamento sério, e eu também não, até aquele fim de semana. Ele passou a conversar menos comigo, menos do que antes. Fui à uma festa com a Marina* e duas amigas que estavam conosco na viagem, também. Durante a noite, beijei um estranho, o que podia ser muito comum para mim na época de colégio, mas agora, completamente não-eu. Aquele beijo deprimente, sem intensidade alguma, não era envolvente. Ele (não o estranho) me ignorava gradativamente. cada dia um pouco mais. Chegou a hora de um churrasco na casa dele. Ele mora longe da minha cidade, é quase uma hora de viagem, e por este motivo perguntei sobre passar a noite lá, já que ainda éramos amigos, não tão íntimos como antes, mas éramos amigos. O impressionante foi na hora de dormir, pois ele me ignorava MUITO. Fui para o quarto da irmã dele. No relógio não marcavam nem cinco minutos que eu havia saído do quarto dele, e chegou uma mensagem no meu celular "tá com medo de mim?" confesso que por esta eu não esperava, e tentei responder, e logo após, voltei a jogar. dois minutos depois, mais uma mensagem "tá com medo de mim?" e percebi que a minha mensagem de resposta não havia sido enviada, por falta de sinal (maldita ou bendita tim). Levantei e, enfiando a cabeça pela porta, falei "não é bem eu que to com medo" e então ele me mandou entrar e fechar a porta, por causa do barulho. Sim, eu entrei, mas estava brava. Não lembro muito bem do diálogo, mas era em função de sua bela atitude de me ignorar. Idas e vindas, eu estava com muito frio, era inverno, em julho, e comecei a tremer e falar enquanto batia os dentes inferiores nos superiores. Ele sugeriu que eu deitasse com ele embaixo das cobertas, pois estava muito frio. Depois de negar várias vezes, acabei aceitado, pois odeio passar frio. "Nada que nunca fizemos", ele disse. Entre conversas, ele me surpreendeu com um beijo. Foi difícil parar "não era para ter acontecido isso!" e continuamos. Isso se chama FRAQUEZA. Pulando para o dia seguinte; se até ali as coisas já estavam ruins, imagine depois. Ele me ignorava em níveis expert, e eu chorava demais em casa. Fico muito insegura quando gosto de alguém, principalmente se não é recíproco, e ainda tenho queda de auto-estima. Passado quase um mês, chegou a hora da tão sonhada festa que não posso relatar o nome, mas na mesma cidade que ele tem aquela casa. Senti que ele não queria que eu fosse, mas enfim, eu iria de qualquer jeito, não queria nem saber, comprei ingresso, e sonhava desde maio com aquele dia. Acabei indo com um amigo que combinou com ele de ficarmos novamente na casa dele. Durante a festa, contei a ele que eu não sentia mais nada por ele. Era mentira, eu sentia sim, mas queria a amizade dele de volta a qualquer custo. Como de costume, e como está no meu contrato com a vida a cláusula que eu não posso estar totalmente feliz, sempre algo tem que estragar, e foi isso. Lá, ele abraçou a menina com quem ele se diverte, cheirando e beijando seu pescoço. Chegando na casa dele, ele se trancou no quarto com ela, e ali "dormiram". Voltou aquele aperto no peito, que foi embora algumas semanas depois, quando ele me ignorava TOTALMENTE. Isso me fez ter nojo e raiva, o que contribuiu para o sumiço daquele sentimento tão indesejado. Enfim, agora estamos aqui, nenhum de nós sente mais nada um pelo outro, nenhum de nós tem mais vontade de ver o outro e pior: aquela amizade rara e única, dissolveu-se até nos tornarmos estranhos um para o outro. Como pode, a capacidade de amar deixar uma relação tão linda, verdadeira e única, estragar desse jeito. Como pode, a incapacidade de amar, deixar um amigo na mão, magoar aquela pessoa que era tão verdadeira, aquela pessoa tão especial, que em palavras não se descreve. Se eu pudesse voltar no tempo, com toda a certeza do mundo, voltaria para o dia em que contei para sobre meu sentimento, e nunca o teria feito. Você pode estar se perguntando por que eu não voltaria no dia em que ele me contou sobre o que ele sentia por mim, respondendo que era recíproco, SIM. Te respondo: Não o faria, pois o relacionamento é de vidro. O amor deve ser renovado a cada dia, a rotina deve estar muito longe. Já a amizade, basta respeito, lealdade, contato e duas pessoas. Apenas isso. A amizade é mais resistente, e o tipo de amizade que tínhamos era algo de se colocar em um recipiente de cristal, no meio de uma sala cheia de raios laser, com seguranças e todo o sistema de segurança possível. Apenas teria feito a segunda opção se tivesse certeza de que ele era o homem da minha vida. Como não era, e não tinha como saber, preferiria ter agido com a razão, e não com a emoção, nunca ter me envolvido dessa forma com ele. Cuidado, ser humano, não seja tão capaz, porém também não tão incapaz de amar. Saiba medir e equilibrar isso, pois ou você magoa e perde, ou você é magoado e perde. Ambos são terríveis, sabe, ser humano... Tenho certeza que ele também ficou triste com a perda da nossa amizade, pois sei que ele também a valorizava como eu. Porém o destino (ou nós) quis assim. Agora, apenas sinto saudade da amizade, mesmo sabendo que não voltará nunca. Foi desnecessário passarmos por aquilo. Porém sei que a vida me guarda coisas muito melhores, mas mesmo sabendo disso, não abriria mão do que perdi.

*Os nomes foram trocados por nomes-fantasia, para evitar expôr alguém de qualquer forma.